sexta-feira, 18 de maio de 2018

AH! QUE O TEMPO VENHA

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Verlaine e Rimbaud
São os dois primeiros à esquerda em uma mesa de bar em Fanton-Latour, em 1872


Canção da Torre Mais Alta 

 Mocidade presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.

Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.

Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.

Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas

 by Arthur Rimbaud

segunda-feira, 14 de maio de 2018

O AMOR NO CHÃO

Quanto tempo eu perdi, esperando que olhasse para mim, e não consegui...eu estava invisível aos teus sentimentos...que importa agora se as guerras pelo mundo proliferam e matam cada vez mais inocentes, enquanto os senhores da guerra tomam seu chá com bolinhos de granada. O mundo esta assim, pensei em dizer, mas o que importam minhas palavras se não ouves o que digo, minha voz não existe aos teus ouvidos.  Tentei contar os mortos  em apenas uma edição de qualquer telejornal, e não consegui, eram tantos. Nem tentarei levar meu coração doente para o hospital, a saúde não existe neste país, hospitais fecham, os médicos somem, e aparecem apenas em suas clinicas particulares...até meu coração parar, pois a cura que espero de ti não virá. Quanto tempo meu Deus, ainda esperarei pelo amor verdadeiro ? Não há mais tempo, não há mais vida, não há mais tempo, não há mais vida. Ligarei o rádio bem baixinho na madrugada insone, quando então ouvirei a músicas de surpresa e vou querer morrer porque o dj não tocou as músicas que gosto...o amor se espatifou ao cair no chão, me deixando sem reação, catatônico, triste, só. O amor no chão, diria o poeta Verlaine:

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Paul Verlaine, Bibi la Purée et Stéphane Mallarmé no café Procope




  • O vento da outra noite derrubou o Amor
  • Que, no mais misterioso recanto do parque,
  • Nos sorria, ao esticar malignamente o arco,
  • E cujo ar nos fez meditar com fervor!
  •  
  • O vento da outra noite derrubou-o! O mármore
  • com o sopro da manhã, disperso, gira. É triste
  • Olhar o pedestal, onde o nome do artista
  • Se lê com muito esforço à sombra de uma árvore,
  •  
  • É triste ver em pé, sozinho, o pedestal!
  • Melancólicos vêm e vão pensamentos
  • No meu sonho, onde o mais profundo sofrimento
  • Evoca um solitário futuro fatal.
  •  
  • É triste! — E mesmo tu, não é? ficas tocada
  • Plo cenário dolente, embora te divirtas
  • Com a borboleta rubra e de oiro, que se agita
  • Sobre a alameda, além, de destroços juncada.
  •  
  • Paul Verlaine, in "Festas Galantes"
  • Tradução de Fernando Pinto do Amaral



quinta-feira, 10 de maio de 2018

SIGNO



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Aos Filhos de Áries

Áries, o primeiro signo, do carneiro apaixonado
Tem em Marte seu designo e no fogo seu reinado
Nas estrelas seu delírio, seu amor enciumado
Nos limites, seu martírio, seu mistério revelado
Louco signo das correntes e emoções arrebatadas
Ariana dos repentes e explosões descontroladas
Ariana, como o fogo, nunca será dominada
Decisiva como o jogo, e a primeira namorada
Signo da sinceridade, da vermelha cor do dia
Signo da velocidade, da impulsão e eu nem sabia
Que era tanta madrugada a derramar no coração
Como a rosa serenada se transforma e pinga ao chão
Derretendo ao fogo da paixão

by Oswaldo Montenegro

terça-feira, 8 de maio de 2018

PLÁTANOS


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Estou sentindo, tenho esta percepção, que os dias estão mais curtos, mais rápidos e as noites com aquela sensação de eternidade, quando adormeço profundamente e despenco para o mundo dos sonhos. Podendo ter pesadelos também. Assim como os pássaros acordam com cantoria gritante, pessoas caminham para seus trabalhos, carros sempre lentos, resolvem correr atrás do tempo. E crianças brincam na areia do jardim de infância, outras correm sem saber, como cães soltos, após longo período preso. Crianças e cachorros são bem parecidos...Sempre estou cansado no quadragésimo degrau da escada que sobe aos céus e desce aos infernos. Quando já suando muito, sinto o calor de demônio e a brisa dos anjos no céu. Dividido. Apelo às orações, para que Deus não me abandone subindo e descendo estas escadas, e me de forças, pois a minha se esvai com o suor. Poderia ser um pesadelo em escadarias, mas é real. Estou sentindo que o outono finalmente se fará presente, e mostrará toda sua poesia nas folhas secas dos plátanos, voando livres ao vento, sobre minha cabeça...

sexta-feira, 27 de abril de 2018

DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA

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DIAS DE LUTA

Só depois de muito tempo fui entender aquele homem
Eu queria ouvir muito mas ele me disse pouco
Quando se sabe ouvir, não precisam muitas palavras
Muito tempo eu levei pra entender que nada sei... que nada sei

Só depois de muito tempo comecei a entender
Como será meu futuro, como será o seu?
Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou o filho
Se hoje eu canto essa canção, o que cantarei depois
Cantar depois.

Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção o que cantarei depois

Só depois de muito tempo comecei a refletir
Nos meus dias de paz
Nos meus dias de luta

Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois
Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois

by IRA!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

É TODO O AMOR QUE RESTA

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Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo

by Lya Luft

segunda-feira, 23 de abril de 2018

SERIA A MORTE SOLUÇÃO ? OU O AMOR ?


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Quando o tempo conspira contra mim, me cercando de todas as impossibilidades, fechando caminhos e mudando as pessoas, fechando sorrisos e permitindo que toda sorte de azar esteja presente em minha vida. A vida é este jogo de dados, com várias possibilidades, sendo a seta para o inferno ou para solidão ou para tristeza. Não tenho muitas escolhas, a morte talvez. Seria a morte uma solução? Ou o amor ? Mas este vai me despedaçar outra vez. Os dias me parecem iguais, as sensações as mesmas, a dor grita mais alto, e eu só quero ser feliz, como todo mundo quer...mas a sina das lágrimas em meu rosto continuam rolando, formando um rio que se jogará do alto de um penhasco, formando a cachoeira do fim do mundo, pois nada sobrevive a esta queda, nem os peixes...quem sabe mergulhar profundamente num poço e ficar ao fundo, na lama, esperando o oxigênio acabar, então ser liberto do corpo, este corpo que me aprisiona, que cria expectativas, esperanças, amores. Quem sabe, com o coração parando de bater, eu me sinta em paz…Posso gritar, rolar pelo chão, maldizer Deus por manter este filho, que o teme tanto, no limbo da vida, esta porcaria de vida. Karl Marx, tinha razão, o proletariado não tem nada a perder, nem ganhar, eu concluo...Seria a morte solução ? Ou o amor...

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